Ministério da Saúde apresenta estudos e resultados sobre tratamentos da tuberculose no XIII Workshop Nacional da REDE-TB
Pesquisas abordaram desfechos do tratamento entre pessoas privadas de liberdade e resultados iniciais do regime BPaL para tuberculose drogarresistente
O Ministério da Saúde (MS) apresentou, nesta quarta-feira (19), dois estudos sobre tuberculose durante o XIII Workshop Nacional da Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose (Rede TB), realizado em Brasília (DF), como parte da programação do 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MEDTROP 2026). As apresentações integraram o eixo “Tuberculose e outras micobacterioses” e abordaram desafios relacionados ao tratamento da doença em pessoas privadas de liberdade e à adoção de novas estratégias terapêuticas para casos de tuberculose drogarresistente.
O estudo intitulado “Tuberculose em pessoas privadas de liberdade no Brasil: desfechos de tratamento”, apresentado pelo técnico do MS, Luiz Henrique Arroyo, analisou casos novos de tuberculose pulmonar registrados entre 2015 e 2024. Os resultados mostram que, embora a proporção de cura tenha permanecido elevada, houve redução de 80,2% em 2017 para 70,6% em 2024. As interrupções do tratamento variaram entre 8,6% e 11% no período, enquanto os óbitos permaneceram entre 1,3% e 2%.
O trabalho também identificou aumento das transferências entre unidades prisionais, de 5,9% em 2015 para 10,9% em 2024. Segundo a análise, o acompanhamento próximo pelas equipes de saúde e a organização das ações no sistema prisional podem contribuir para resultados terapêuticos favoráveis. O estudo aponta, ainda, a ampliação do tratamento preventivo da tuberculose como uma oportunidade para reduzir novos casos e interromper cadeias de transmissão nesse grupo.
Segundo Arroyo, a incidência de tuberculose em pessoas privadas de liberdade reforça a importância de trabalhar a prevenção junto a essa população. “O tratamento preventivo precisa alcançar essas pessoas. Para isso, o Ministério da Saúde está realizando um piloto em quatro unidades prisionais, exatamente para que esse público tenha acesso facilitado. São análises e estudos específicos e as informações que virão dessas unidades prisionais serão muito importantes para coletar evidências e pensar estratégias para a expansão nacional dessa linha preventiva”.
Já a apresentação “Adoção programática e resultados iniciais do regime BPaL para tuberculose drogarresistente no Brasil, 2025”, ministrada por Daniele Pelissari, avaliou a implementação do esquema composto por bedaquilina, pretomanida e linezolida, adotado programaticamente pelo Brasil a partir de dezembro de 2024. Dos 866 casos elegíveis identificados em 2025, 757 (87,4%) iniciaram o regime BPaL. A cobertura aumentou de 65,2% no primeiro trimestre para 97,5% no quarto trimestre, demonstrando rápida expansão da estratégia no país.
Entre os 376 pacientes que iniciaram o tratamento no primeiro semestre de 2025, 69,4% haviam concluído o tratamento aos seis meses. Foram registradas perdas de seguimento em 19,7% dos casos e óbitos em 8,5%. Para o Ministério da Saúde, os resultados iniciais demonstram a viabilidade da implementação do regime encurtado no Sistema Único de Saúde (SUS), ao mesmo tempo em que reforçam a necessidade de atenção às perdas de seguimento.
Daniela enfatizou que a introdução de uma nova tecnologia não elimina, por si só, os desafios preexistentes. “Mesmo com a implementação de esquemas terapêuticos atualizados, as taxas de cura ainda não atingem o patamar satisfatório. Isso ocorre porque as barreiras sociais permanecem como obstáculos significativos, os quais a tecnologia isoladamente não é capaz de transpor. É imprescindível que os profissionais de saúde atuem em estreita colaboração com o sistema social, a fim de acolher e atender a todas as necessidades desses pacientes, especialmente considerando que a ocorrência de eventos adversos ainda é uma realidade”, disse.
As duas pesquisas alertam para a importância da vigilância epidemiológica e do acompanhamento dos resultados do tratamento para qualificar as estratégias de enfrentamento da tuberculose no país, considerando tanto as especificidades de populações em situação de maior vulnerabilidade quanto a incorporação de novas tecnologias terapêuticas no SUS.
O XIII Workshop Nacional da Rede TB reúne pesquisadores, profissionais, gestores e especialistas para discutir avanços e desafios relacionados à pesquisa e ao controle da tuberculose no Brasil e integra a programação do 61º MEDTROP, realizado de 17 a 19 de agosto, na capital federal.
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde
